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8.6.09

Doente

Às vezes a nostalgia e o arrependimento vêm tão fortes que eu mal posso surportar. É uma dor tão aguda, tão forte, que faz meu cérebro acreditar que está prestes a explodir. As paredes do meu crânio parecem estar se encontrando.
É uma dor que me envergonha, que me maltrata, perturba. É quase uma cruz, uma coroa de espinhos. É a dor dos solitários, dos vazios, dos mal amados, dos afetados, dos mendigos e dos corruptos. É a dor do errante, do errado, do erro crasso.
Essa vergonha me faz ranger os dentes, lacrimejar as vistas, semicerrar os olhos e franzir o nariz. Minha fuga pra poder aguentar o físico dessa frustração.
Tô sofrendo os efeitos de uma dose cavalar de mim mesma. Tô doente de mim. Tô sufocando um grito mudo de ajuda. Tô tendo overdoses dessa droga sintética que é o meu ser. Imagine como minha mente está nisso tudo.
Vida? Eu deixei pra depois. Das minhas 24 horas eu jogo 23,5 no lixo vago da minha memória. Meus sentimentos dançam juntos num turbilhão radioativo aqui dentro desse peito calejado. Eu não tô confusa, eu sou a confusão. Eu sou o olho do furacão.
Eu tô vivendo de um passado tortuoso sem acertos. Um passado que acaba toda hora que finda algum de meus fracassos.


É sério, eu tô cansada. Eu tô doente de tudo.

15.5.09

Samba do Infeliz

Nessa Estrada
Fria estrada
estreita, longa
e abandonada
Foi nessa estrada
que o meu amor deixei.
Nessa vida
Curta vida
seca, pacata
e sofrida
Foi nessa vida
que o meu coração eu abortei.
Nesse rumo
Errado rumo
torto, sombrio
e fora do prumo
Foi nesse rumo
que sem saber eu me guiei.
Nessa roda
Grande roda
mágica, alegre
e fora de moda
Foi nessa roda
que eu sambei.

14.3.09

Droga

Droga de cérebro que só conclui coisa besta, droga de vida que chega em caminhos errados, droga de coração idiota, droga de amor, droga de paixão, droga de tempo, droga de saudade.

Luciana, perdidamente apaixonada por tudo que tem fora do alcance das mãos, braços, ombros. Enlouquecidamente desesperada por amor, por vida, por sanidade.

São tantos sentimentos e idéias para processar, eu realmente peço trégua! Levanto bandeira branca pra ficar no meu canto, melhor ser esquecida do que esquecer.

Ai ai, quantos ais! Meu peito tanto aperta quanto flagela, dá um nó na garganta que nem desce. Quantos deles, quantos!

Droga de pessoas amáveis, droga de borboletas estomacais, droga de sono, droga de Luciana.

Droga.