21.12.11
I
Elástica, cinza, volátil, porosa, grudenta, feia, disforme, faminta, sedenta, imensa, frágil, esquisita, medonha, assustadora, desprezível, vulgar, banal, inútil, complexa, solitária, cai em pedaços, desmancha, fica num canto, arrasta-se silenciosamente, contagia, mata, estrangula, sufoca, morre e esquece.
5.12.11
05 de novembro
Eu ainda não consegui escrever de forma longa e detalhada o que aconteceu naquele dia 05 de novembro. Por mais que hoje faça exatamente um mês que tudo aconteceu, as coisas ainda permanecem vivas num silêncio de quem não quer perturbar a própria paz. Tudo o que aconteceu ainda acontece todos os dias num canto escondido da minha mente, das minhas emoções. Tudo ainda existe e sempre vai existir de forma inconsciente e pura, mágica. Sem maiores explicações.
Consigo me recordar de cada segundo. De quando dormi, das pessoas inconvenientes, de cada segundo de dor, dos pés inchados, da sede, do calor infernal, da vontade de desmaiar. Lembro de não sentir fome, das quase 24 horas sem fazer xixi. Lembro das pessoas, do halls de minuto em minuto, lembro daquele medo absurdo de quando eles entrassem no palco e eu não saberia o que fazer. Como eu reagiria?
Foram horas, horas e horas. Muitas horas. De bandas boas, não tão boas, de bandas horríveis. Foram 9 horas. Em pé, com calor, com mochila pesada, com necessidade real e dolorosa de sentar e esticar as pernas. Foram mais de 30 minutos de palco vazio esperando aquele que deve ter sido o momento mais lindo da minha vida. Porque aí a gente tá lá achando que vai gritar, sei lá, quando o Julian, o Julian Casablancas, ele que salvou a sua vida adolescente nada agradável, entrar. Você vai achar legal e talvez você vá chorar. Mas daí ele entra de verdade, ele sorri, ele é meio tímido e ele é lindo. Ele é ainda mais lindo do que você esperava. E doce, educado, meigo. Ele começa NYCC e você não entende mais nada. Eu não entendi mais nada. O meu corpo seguiu um movimento vertical que a massa atrás de mim fazia de maneira coordenada. As pessoas gritavam as letras das músicas e eu gritava também. Eu cantava olhando para ele porque dá aquela inocente sensação de que ele vai te chamar pro palco e você vai embora com eles depois do show.
Eu não conseguia tirar os olhos do Julian porque é meio que inacreditável. Aquela pessoa que escreveu suas letras favoritas, que já foi seu namorado imaginário, o primeiro deles, que você veste em camisetas, que você guarda em fotos. É bonito e triste ao mesmo tempo, é... Inacreditável. Eu não sabia onde começava o choro e o riso, sozinha, na grade, com as dores indo embora, a mente se esvaziando...
Foi o maior momento de paz que eu já tive na minha vida. Aquela sensação de que isso tudo vai valer a pena, sabe? Eles sempre me deram essa noção, mas naquele dia 05 foi muito maior. Era como se eles me dissessem que tudo ia ficar bem.
Até entendo que esse texto soe como fanático e bastante desconexo. Mas é a primeira tentativa de transcrever tudo o que eu senti há um mês atrás. Não me interessa se pareço infantil ou ridícula, agradeço aos cinco meninos por ter resistido a tantos momentos ruins ao longo dos meus depressivos anos da adolescência. Por ter me ajudado a suportar as tristezas pelas quais passei e passo, por ter as palavras exatas e delicadas que ninguém foi capaz de me dizer em todas as vezes que precisei. Eles são meus melhores amigos e esse show, esse dia, foi o melhor da minha vida. Obrigada.
Consigo me recordar de cada segundo. De quando dormi, das pessoas inconvenientes, de cada segundo de dor, dos pés inchados, da sede, do calor infernal, da vontade de desmaiar. Lembro de não sentir fome, das quase 24 horas sem fazer xixi. Lembro das pessoas, do halls de minuto em minuto, lembro daquele medo absurdo de quando eles entrassem no palco e eu não saberia o que fazer. Como eu reagiria?
Foram horas, horas e horas. Muitas horas. De bandas boas, não tão boas, de bandas horríveis. Foram 9 horas. Em pé, com calor, com mochila pesada, com necessidade real e dolorosa de sentar e esticar as pernas. Foram mais de 30 minutos de palco vazio esperando aquele que deve ter sido o momento mais lindo da minha vida. Porque aí a gente tá lá achando que vai gritar, sei lá, quando o Julian, o Julian Casablancas, ele que salvou a sua vida adolescente nada agradável, entrar. Você vai achar legal e talvez você vá chorar. Mas daí ele entra de verdade, ele sorri, ele é meio tímido e ele é lindo. Ele é ainda mais lindo do que você esperava. E doce, educado, meigo. Ele começa NYCC e você não entende mais nada. Eu não entendi mais nada. O meu corpo seguiu um movimento vertical que a massa atrás de mim fazia de maneira coordenada. As pessoas gritavam as letras das músicas e eu gritava também. Eu cantava olhando para ele porque dá aquela inocente sensação de que ele vai te chamar pro palco e você vai embora com eles depois do show.
Eu não conseguia tirar os olhos do Julian porque é meio que inacreditável. Aquela pessoa que escreveu suas letras favoritas, que já foi seu namorado imaginário, o primeiro deles, que você veste em camisetas, que você guarda em fotos. É bonito e triste ao mesmo tempo, é... Inacreditável. Eu não sabia onde começava o choro e o riso, sozinha, na grade, com as dores indo embora, a mente se esvaziando...
Foi o maior momento de paz que eu já tive na minha vida. Aquela sensação de que isso tudo vai valer a pena, sabe? Eles sempre me deram essa noção, mas naquele dia 05 foi muito maior. Era como se eles me dissessem que tudo ia ficar bem.
Até entendo que esse texto soe como fanático e bastante desconexo. Mas é a primeira tentativa de transcrever tudo o que eu senti há um mês atrás. Não me interessa se pareço infantil ou ridícula, agradeço aos cinco meninos por ter resistido a tantos momentos ruins ao longo dos meus depressivos anos da adolescência. Por ter me ajudado a suportar as tristezas pelas quais passei e passo, por ter as palavras exatas e delicadas que ninguém foi capaz de me dizer em todas as vezes que precisei. Eles são meus melhores amigos e esse show, esse dia, foi o melhor da minha vida. Obrigada.
1.11.11
20.8.11
A melhor vida do mundo
Provavelmente você nunca leu um texto igual a esse por aqui. Provavelmente você nunca leu texto algum que eu escrevi, mas é importante que você leia esse, somente esse. Não passe o mouse pela aba de textos anteriores, não busque o meu passado de anos atrás, não leia a postagem abaixo. Leia essa que segue. Leia sobre a melhor vida do mundo.
Acredito que quem me conhece, e nem precisa ser tão profundamente, sabe da minha doença - chamo assim - nomeada pelo Woody Allen como "insatisfação crônica". Meus amigos sabem que é preciso cair um meteoro no meio do meu quintal pra eu conseguir ter algum tipo de entusiasmo, surpresa. Pra eu me movimentar. Caso contrário, não sou muito de me divertir. Eu saio, bebo, uso coisas, gosto de tudo. Mas eu sempre cismo com algo, me decepciono, magoo, reclamo. É como se nada me animasse tanto quanto anima as outras pessoas, como se eu assistisse a minha vida passando e não achasse graça em quase nada.
Aí hoje eu estava voltando de Londrina com meus amigos e o céu tinha quatros aspectos diferentes: uma parte nublada, uma meio roxa, uma com o crepúsculo chegando e outra ensolarada, azul clarinha. Eu fiquei pensando em como a natureza pode deixar esse tipo de coisa acontecer, como o céu pode ser tão grande, tão imenso, que comporta vários céus dentro dele mesmo. E de um lado chove e do outro anoitece, de um lado faz sol e do outro enche de nuvens pretas. Isso é tudo tão grande, é tão maior que a minha vida e que a de todos nós, que me fez pensar mais uma vez, só mais uma, se as coisas são tão "desempolgantes" como eu vejo. Parei para fazer um balanço de quem sou eu, de quem me tornei nos últimos meses.
Eu estagio numa Ong do meio ambiente, lá dentro as pessoas me dizem coisas que eu jamais pensei, elas confiam em mim, no meu trabalho e me levam para lugares que nunca imaginei que veria de perto. Eu trabalho num lugar onde as coisas acontecem, onde as pessoas protestam, agem, mudam, onde as pessoas são de verdade. Eu, sem querer parecer arrogante, ajudo a mudar a ordem das coisas, contribuo um pouquinho pra esse mundo e vejo as pessoas fazerem isso o tempo todo. Depois disso eu faço um curso que é meio chato, todo cagado, cheio de gente diferente de mim, mas que me deu vários presentes ao longo desses quase 3 anos. Percebo que ganhei algumas pessoas fazendo jornalismo, descobri que talvez não seja essa a profissão que eu quero pra minha vida e descobri também que muitos que estão ali deveriam ter essa mesma consciência que já adquiri. Nesse curso também vi coisas horríveis, fui julgada centenas de vezes, hostilizada por ser quem sou - até por fora - fui ofendida. Também ofendi, fui preconceituosa, arrumei briga. Escolhi pessoas erradas, fui covarde. Aí tentei reparar os erros, acertei em quase todas as minhas investidas, fui compreendida melhor, me redimi. Hoje ajudo em aulas de radiojornalismo, tenho calouros muito queridos e inteligentes que me deixam muito feliz ao acreditarem em mim.
Foi nesse curso que também conheci meu namorado, que também é conhecido como o amor da minha vida. Ele que tem uma paciência sobre-humana, um carinho tão macio e um jeito tão peculiar e franco de ser. Que faz os dias serem menos doloridos, os fins de semana serem tão esperados e as aulas de todos os dias um pouco menos insuportáveis.
Além desse amor, também tenho pai, mãe e irmã que me ajudam em tudo, que fazem o impossível pra eu ter tudo o que tenho, que me amam acima de qualquer defeito, que me ensinaram - e ensinam - lições tão bonitas de honestidade, hombridade e perseverança. São três pessoas que construíram o meu caráter, pelo menos a parte boa dele, pessoas que só me trazem coisas boas, que só me acrescentam, me nutrem.
E eu também moro com uma das pessoas mais incríveis do mundo, uma amiga tão sincera, feliz, leve, que enxerga a vida com olhos tão livres, tão dóceis, que gosta de tudo o que acontece, vê pontos positivos em tudo o que outra pessoa criticaria. Uma pessoa tão pura que parece ser alada, parece flutuar, sonhar acordada.
Eu sou um pouco inteligente e arrogante e prepotente também. Sou sincera, apesar de também ser bastante omissa. Tento conviver bem com as pessoas, me esforço pra entender as diferenças entre todos, amo demais quem me faz bem. Não sou dessas que têm vaidade e também não me enquadro nem um pouquinho no "padrão de beleza atual". Eu ainda sofro muito com ansiedade, odeio hipocondríacos, não sei se acredito em deus, não consigo lembrar de tomar qualquer remédio e sou viciada em coca-cola zero. Mas agora eu sou mais independente, mais viva, sou capaz de mudar as coisas e não deposito em ninguém o fardo de me fazer feliz - também não aceito ser tutora de ninguém. Agora eu tomei as rédeas da minha vida e estou exatamente aonde eu preciso estar. Essa é a minha nova vida, a melhor vida do mundo.
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