12.8.09

Até quando?

Hoje não venho chorando e surtando no fundo do poço te entregar palavras doídas e encharcadas de água negra. Só venho, no momento mais sincero que meu coração já pôde se encontrar, perguntar-te: até quando?
Sério mesmo. Até quando vai ser isso? Como vou viver sem te ver? Faço o diabo para te evitar, mas quando acontece volta tudo, tira-me do eixo, acaba com a minha razão, minha estrutura.
Eu tenho ciúmes de você. Eu tenho ódio de você. Eu tenho tudo relativo a você. Eu só não tenho você e nunca vou ter. Mas até quando eu vou viver com esse vazio?
Eu peço a tua ajuda.


Só quero deixar uma frase do Bukowski que muito lembra o que passo por você:

"Não sei quanto às outras pessoas, mas quando me abaixo para colocar os sapatos de manhã, penso, Deus Todo-Poderoso, o que mais agora?"



Entende?

10.8.09

Des-oito

Estou aqui, enrolada numa coberta - coisa que fiz várias vezes esse ano - e ouvindo Los Hermanos - coisa que não fiz muito esse ano - e analisando os fatos. Analisando os dezoito anos.
Sabe, as comemorações não foram assim tão calorosas, mas as pessoas que estavam perto de mim não poderiam ter sido melhores. Não poderiam.
Não vou ficar relatando o que aconteceu, porque, sentimental como sou, guardei já tudo aqui dentro do meu peito. Mas na virada do dia 9 para o dia 10 eu estava do lado das duas pessoas mais antagônicas na história de Luciana. Assim, não dava pra ter sido mais luciânico. Foi cabalístico, como gosto de dizer, e foi estranho. Talvez eu tenha descoberto forças que eu não sabia que existiam, firmei meus desejos e metas pra esse ano, entendi bem outras coisas e desejei bem firme que tudo continue sendo brilhante. Além de ganhar uns presentinhos da Nate e uma romã meio podre do Fê.
Mas bem, foi interessante. Eu sou desse tipo de pessoa noiada que fica "parando pra pensar" quando se encontra em situações marcantes... Como seu aniversário de 18 anos.
Fiquei olhando ao redor... Eu tava ali, sabe. Ali onde achei que nunca estaria, rolou até de eu dizer o que eu pensava deles, por isso firmarei aqui de novo: eu amo vocês. Obrigada por me darem os extremos de minha vida. Obrigada por me fazerem sentir a maior dor de todas, por me trazerem o nirvana, por me fazer rir e sorrir, por terem esse descompromisso compromissado comigo. Eu realmente amo vocês e espero que me amem também.
No mais parei pra entender o que são esses 18 anos. Eu não sou madura, dá nem pra eu mentir uma merda dessas, né? Mas eu acho que aprendi muita coisa nesse ano. Gosto muito de repetir (até mesmo dentro desse post) que passei pelos extremos esse ano - quero nem entrar em detalhes - e sinto que ainda há muito por vir. Muito.
Esses 18 anos estão mais pra Des-oito... Jeito de saindo da infância, acordando pra vida, absorvendo o amor... Entendendo que quem controla as coisas aqui sou eu, e eu sou a dona da história. Compreender isso tem me fazendo virar gente.
Agora vou dar um tempo na confusão e um tempo pro coração. Eu preciso respirar, preciso acalmar. Depois dessa tempestade que se foi, tem aquele arco-íris malandro esperando na alvorada. Pode crer que eu espero isso.

No mais, obrigada meus amigos de sempre, meus amigos de hoje, meus amigos que se foram.
Como Danylo bem disse, que vocês entendam e até mesmo se apaixonem pelos meus dramas e minha excêntricidade. É isso que espero.
E que mais pessoas possam me dar o presente lindo que o Greg me deu de dizer que sou o achado dele desse ano. (Lindo, né?)

Tô crescendo, galera. Be careful.

7.8.09

Merda de Vida - pt I

Merda de vida. Quando eu disse prá Mariana que eu ia embora, ela riu da minha cara como se eu tivesse falando a porra de uma piada. O que detesto é quando vem esse moralismo barato de dizer que eu tenho que aguentar as coisas. Aguentar é o caralho.

Eu tava fazendo um miojo quando minha mãe chegou e ficou me olhando quase um minuto, eu já tava puta porque não tinha conseguido o emprego no bar da Inferno’s e não deu pra fingir que aquilo não tava irritando:

- Que foi?

- Ah, Alice... Nem pra bar você funciona.

Eu não soube o que concluir primeiro. “Funciona”. Que porra é funcionar prá minha mãe? E outra... Quem deu o direito dela concluir alguma coisa de eu não passar nessa entrevista? Fiquei uns 10 segundos olhando a cara de asco que ela tava e o sangue foi subindo...

- Vai tomar no seu cu.

Eu saí da cozinha e só fui ouvindo os gritos dela abafados pelo choro entrando por debaixo da porta do meu quarto. Prá ser uma filha da puta eu funciono muito bem... Até pensei em dizer isso, mas o ódio era tanto que a garganta se fechou.

Sempre foi assim, sabe. Eu era uma aluna exemplar, por mais que seja difícil de acreditar, mas o que me fodeu foi a Rafaela. A Rafa não, né... A morte dela. Quando eu fiz doze anos ela morreu num acidente de carro voltando de São Paulo com a companhia de balé. Mas eu não posso reclamar da pressão que a perfeição da Rafaela fazia em mim, ela era uma menina bonita de 16 anos e se eu tivesse aquelas pernas que ela tinha, que eu não tive até hoje, também seria uma dessas meninas Britney Spears na fase virgem. O punk é que ela era minha irmã e eu não consegui suprir a falta que ela fez aos meus pais... Na verdade ela faz falta até hoje. Eu não dei esses orgulhos imbecis a eles e tenho certeza que ela poderia ter dado. Eu tranquei minha faculdade de jornalismo, não trouxe namorado em casa, já fui pega com tóxicos (pra ser menos trágica)... Seriam coisas transponíveis se a minha irmã estivesse aqui ainda. Mas ela não ta há 7 anos e eu não posso mais suportar viver nessa condição dupla de existência – sendo que não cumpro nem o papel da minha vida.

A Mariana é uma garota que eu conheci na época que eu tava viciada em Stooges, um ano depois que a Rafa se foi. O pai dela tinha uma banda cover dos caras e vivia me ensinando a tocar bateria. Quando eu ia à casa deles era tudo legal. Ela tinha uns 10 cachorros e todo mundo colava o que quisesse na parede... Fotos, pôsteres, recados, bulas de remédio, matérias de jornais, capas de disco... Tudo. Aconteceu que quando a Mari fez 15 anos os pais dela se separaram e o pai foi chamado pra produzir uma banda lá em Niterói e ela teria que se mudar de Londrina. Como a Mari gostava daqui e tinha vários amigos, ela ficou com a Solange, a mãe dela. A Solange era um demônio em forma de mulher. A menina virou uma otária igual aos outras garotas daqui. Nem saía mais comigo, não ia em casa ouvir música, eu não ia lá ver filme. A gente continuou amiga e tudo, mas os 2 anos anteriores foram muito melhores do que todo os outros até hoje em dia, que a gente tá com 19.

Bom, mas foi essa Mariana aí que quando me encontrou no mercado foi a primeira a saber que eu iria prá São Paulo. Ela me viu e deu um sorrisinho meio amarelo porque tava com o namorado em punho. Mas acho que ela pensou ser meio “de mau tom” não ir até lá cumprir os protocolos sociais.

- Oi, Alice! E aí, menina, como você tá?

- Ô, Mari. Eu tô bem e você?

- Ah, tô indo, né... Fiquei sabendo que você parou de fazer a faculdade, que foi?

- Eu cansei, meu... Tô indo pra São Paulo.

Acho que a filha da puta da Mariana tava muito 13 anos pra eu ter dito assim tão livre que ia me mudar. Sei que ela deu uma risada bem alta e quando viu que eu ainda tava séria emendou qualquer coisa pra cobrir a gafe.

- São Paulo, Alice? Vai fazer faculdade, arrumou trabalho?

Eu nem pensei em mentir, queria que se fodesse mesmo.

- Não. Na verdade eu to indo porque tô desempregada. Eu tentei pegar o bar da Inferno’s mas não deu, eles queriam alguém com experiência na noite. Eu cansei daqui, Mari.

- Mas São Paulo não é brincadeira, cara... Você deveria aguentar um pouco.

- E eu não sei, Mari? Não é questão de chamar atenção, é que eu realmente preciso sair daqui. Eu conheço os meus limites, meu.

- Entendo.

- Entende?

- Pelo menos sei como funciona... O Rogério, amigo do meu namorado, vai pra lá no domingo. Tá indo com uma graninha escassa também. A namorada engravidou quando ele tava fazendo intercâmbio nos Estados Unidos, chegou aqui ela tava morando com um cara há uns 3 meses. Foi foda, mas ele ta querendo se reconstruir lá...

- Porra, e eu achando que tava fodida...

- Você é rebelde, Alice! Parece que tem fogo no rabo.

- Eu sou sonhadora, Má. Sempre fui.

- Sei bem. Quer o telefone do Rogério? Talvez vocês até podem combinar de ir juntos e tal. Se quiser eu peço pro Tales agora mesmo...

- Pô, pode ser.

Aí ela pediu pro “bebezinho” arrumar o telefone desse cara pra mim. Ela me deu um abraço bem forte, pediu pra eu mandar e-mail caso precisasse de grana que ela daria um jeito e me deu umas referências em São Paulo de uns lugares onde os primos dela frequentam. Eu achei meio exagerado porque faziam uns 2 meses que ela não parava prá falar comigo. Acho que a noção de eu estar indo embora fez com que ela entendesse que eu já não pertencia mais a ela por completo e que isso não tinha volta.

Mas o que importa mesmo é que agora eu tô na rodoviária com um papel escrito “ROGÉRIO” na mão e 200 reais na carteira. Eu vou pra São Paulo.

2.8.09

Sobre como a vida deve seguir

Depois de muito pensar, analisar, sonhar, vadiar e confabular - eis aqui um lindo verbo - constatei como a vida deve seguir. E minha conclusão se resume nisso: a vida não deve seguir. Por que é que encaramos a vida como uma estrada? Ela não é e nem se parece com uma. Estradas têm fim, tem sinalizações e, mesmo que esburacadas, têm estruturas iguais umas das outras. Já a minha vida não se parece com a de vocês, tenho essa certeza. Ela não é linear - o que na maioria das vezes é bom - e não tem um destino certo... Mas não é tão incerto assim. Entende como é complexo?
Acho que a vida não deve seguir, deve acontecer... Seguir é dar continuidade a algo reto, simples. Acontecer é renovar, é surpreender. Ora, ao dirigir numa estrada você tem duas opções: ser cauteloso ou não. Antes a vida nos trouxesse duas facetas, não? Diferente da metáfora, viver é lidar com contradições gritantes, dicotomias dolorosas e decisões no mínimo difíceis. Bom, acho que ficou um pouco confuso de entender novamente.
Digo que seguir a vida como uma estrada é querer ter um fim e viver é bem mais que isso... É achar o fim assim sem querer, sem cumprir protocolos sociais, como diria o Junior.
Bom, eu tô pensando seriamente em viver... Mas isso é uma concepção minha, vocês podem pegar seus carros e ir pr'onde quiserem. Eu não tenho medo de multa.